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Arca de Noé

  • Foto do escritor: Lucas Fernandez
    Lucas Fernandez
  • 6 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura


A Arca de Noé, a nova animação brasileira inspirada na obra de Vinicius de Moraes, chega aos cinemas com a proposta de revisar e dar um novo ar à clássica história bíblica. Ambientada em um contexto repleto de humor e música, a trama segue os ratinhos Vini e Tom (dublados por Rodrigo Santoro e Marcelo Adnet), que se embarcam em uma jornada para garantir um lugar na Arca, destinada a salvar os animais de um iminente dilúvio. A dupla de personagens oferece uma dinâmica envolvente e engraçada, balanceando bem o tom leve com a ameaça apocalíptica.


O maior trunfo do filme, sem dúvida, é sua forte identidade brasileira. Os diálogos e expressões, recheados de gírias e memes, criam uma conexão imediata com o público local, distanciando a animação de modelos mais universais como os das grandes produções americanas ou japonesas. A direção de arte, com um trabalho técnico de alto nível, apresenta um visual encantador que coloca a animação nacional no mesmo patamar de estúdios renomados internacionalmente, como o de Gato de Botas 2. A trilha sonora também merece destaque, com uma vibração contagiante, enriquecida por vozes de peso, como Lázaro Ramos e Alice Braga, além dos já mencionados Santoro e Adnet.


Mas aqui, eu sempre vou achar esquisito os personagens se divertindo logo após perderem entes queridos para o dilúvio. Embora isso seja algo que podemos tentar não analisar de forma muito crítica, considerando que o filme é voltado para o público infantil, a situação ainda soa um pouco hermeserenatistica.


A abordagem política do filme também é um ponto que poderia ter sido mais explorado. Apesar de levantar questões sociais de maneira superficial, o filme se mantém otimista e acessível, evitando uma análise mais reflexiva. Para alguns, isso pode ser um alívio, mas para outros, a sensação de que a crítica poderia ter sido mais incisiva acaba deixando um vazio.


Outro ponto que me deixou um pouco decepcionado foi a utilização das músicas. Embora o filme tenha uma pegada musical interessante, as canções são apresentadas de maneira um tanto apressada, sem a chance de realmente explorar seu potencial. No entanto, dentro do formato de animação, acho que se aproximaram do melhor equilíbrio possível.


No fim das contas, A Arca de Noé consegue captar a essência poética de Vinicius de Moraes, oferecendo uma narrativa divertida e com humor, mas também trazendo à tona algumas reflexões. A animação brasileira brilha ao exibir sua autenticidade e se mostra capaz de entregar algo criativo e genuíno, lembrando o público do enorme potencial do nosso cinema.

 
 
 

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