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Infestação

  • Foto do escritor: Lucas Fernandez
    Lucas Fernandez
  • 10 de out. de 2024
  • 3 min de leitura


Como um entusiasta da cultura pop e alguém que geralmente não é fã do gênero de terror, sempre é interessante ver como as produções desse estilo conseguem capturar a atenção do público, mesmo que não sejam da minha preferência. Infestação, dirigido por Sébastien Vanicek e roteirizado por Florent Bernard e o próprio Vanicek, foi um filme que, inicialmente, despertou minha curiosidade, especialmente pela premissa envolvendo aranhas, um tema que pode gerar tanto fascínio quanto aversão. A trama acompanha Kaleb (Théo Christine), um jovem prestes a completar 30 anos que nunca esteve tão sozinho. Ele está em conflito com a irmã por uma questão de herança e cortou relações com seu melhor amigo, o que adiciona um certo peso emocional à narrativa. No entanto, após assisti-lo, fiquei decepcionado com a execução da história, que, em vez de proporcionar uma experiência maneira, se tornou uma jornada repleta de clichês e decisões pouco inteligentes.


A obra começa com um cenário que parece promissor, mas logo se perde em um roteiro que, além de batido, se arrasta em vários momentos. O protagonista, Kaleb, que deveria ser o coração da história, carece de carisma e profundidade. É complicado estabelecer uma conexão com um personagem que, ao longo do filme, toma decisões tão irracionais que chega a ser frustrante. Para um filme que tenta explorar temas como racismo e discriminação, a escolha de um protagonista sem desenvolvimento ou empatia é, no mínimo, problemática.


O filme tenta abordar questões sociais relevantes, mas a maneira como isso é feito é desajeitada. Um dos personagens, que deveria exemplificar a discriminação, acaba se tornando uma caricatura exagerada, o que diminui a seriedade do tema e transforma o que poderia ser uma crítica social em uma representação risível. Essa falta de sutileza não só fez com que eu perca o interesse, mas também impede que a mensagem central tenha um impacto legal.


Durante a trama, encontramos várias situações ilógicas que comprometem a credibilidade da narrativa. Um exemplo notável é a cena em que os personagens precisam atravessar um estacionamento cheio de aranhas, mas não exploram alternativas lógicas ou criativas para evitar o contato direto com essas criaturas. Esse tipo de decisão não apenas diminui o realismo da história, mas também provoca uma desconexão. A falta de lógica em suas ações nos faz questionar a inteligência e a capacidade de raciocínio dos protagonistas, gerando um sentimento de frustração.


Outro momento que me deixou perplexo foi quando a polícia impede a fuga dos personagens e decide gaseá-los. Essa cena, que deveria criar tensão e emoção, acaba se tornando absurda e cômica. É difícil levar a sério um filme que apresenta tais reviravoltas sem a devida fundamentação. Acreditem, eu me vi me afastando da tela em busca de um pouco de lógica. Em algumas partes, fui forçado a me levantar e ir ao banheiro para lavar o rosto, apenas para evitar que o sono me vencesse.


Embora a atuação de alguns personagens e os diálogos que retratam a linguagem dos jovens dos subúrbios sejam um ponto positivo, a falta de profundidade nas relações interpessoais prejudica a narrativa como um todo. Os poucos momentos emocionais que poderiam ressoar são comprometidos pela falta de desenvolvimento dos personagens e pela superficialidade dos diálogos. Assim, o filme acaba se tornando uma experiência apressada, sem impacto emocional.


É importante falar que, mesmo com suas falhas, Infestação oferece uma experiência cultural que pode ser interessante para quem tem aversão a aranhas. O terror e a tensão gerados pelas cenas envolvendo essas criaturas têm o potencial de perturbar aqueles que são sensíveis ao tema. No entanto, essa intensidade é ofuscada pelas falhas do roteiro, que deixa um vazio na narrativa e não proporciona a profundidade que muitos filmes de terror conseguem entregar.


No final das contas, a sensação que prevalece após assistir a Infestação é de frustração. O filme apresenta um potencial que não foi explorado adequadamente, e isso é particularmente decepcionante. A falta de consistência, o uso de estereótipos e a ausência de lógica em várias situações prejudicam a experiência geral.



 
 
 

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