A Longa marcha
- Lucas Fernandez
- 19 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Por: João Amaral
A Longa Marcha: Caminhe ou Morra (The Long Walk, 2025) é, sem dúvida, uma das melhores adaptações de um livro de Stephen King para o cinema. Publicado originalmente em 1979, com King usando o pseudônimo Richard Bachman, o romance ganhou vida nas telas sob a direção de Francis Lawrence (Constantine, Eu Sou a Lenda, Jogos Vorazes – Em Chamas), com roteiro assinado por JT Mollner (Desconhecidos).
A trama se passa em um futuro distópico, nos Estados Unidos, agora sob um regime autoritário que promove anualmente a Longa Marcha: uma competição em que 50 jovens caminham sem parar até restar apenas um sobrevivente. Aqueles que diminuem o ritmo ou param recebem advertências até serem executados. É difícil não relacionar esse cenário com discussões políticas atuais, mesmo que a história original tenha sido escrita há quase 50 anos.
O que poderia soar como um enredo simples se transforma em uma narrativa brilhante e emocionante, sobretudo graças a seus personagens. O jovem Raymond Garraty, vivido por Cooper Hoffman (filho de Philip Seymour Hoffman, estreante em Licorice Pizza, 2021), é nosso ponto de vista para compreender as regras cruéis dessa prova. Mas é com a chegada de Peter McVries (interpretado de forma marcante por David Jonsson, de Alien: Romulus) que a história ganha força: nasce entre eles uma amizade intensa, que remete à célebre parceria de Tim Robbins e Morgan Freeman em Um Sonho de Liberdade (também baseado em King).
Além deles, personagens como Hank Olson (Ben Wang) e Arthur Baker (Tut Nyuot) aprofundam a narrativa, transformando o filme em uma história de amizade, solidariedade e resistência. O clima chega a lembrar Conta Comigo (Stand by Me, 1986, outra adaptação de King), embora aqui a ternura divida espaço com momentos brutais de violência. O vilão da vez é o enigmático “Major”, interpretado com grande presença por Mark Hamill, totalmente à vontade no papel.
Ao longo do percurso, conhecemos os dramas e motivações de cada participante — e sentimos o peso de cada perda. Essa oscilação entre uma história de amizade e uma atmosfera de terror mantém o espectador hipnotizado. Soma-se a isso a inquietante apatia do público que acompanha a Marcha ao vivo, o que só aumenta nossa empatia pelos jovens, que caminham pela própria sobrevivência e pelo prêmio final: uma soma milionária em dinheiro e um desejo a ser realizado — por mais absurdo que seja, desde que não comprometa o funcionamento da competição. Criada, ironicamente, como forma de combater a “preguiça” em uma sociedade americana pós-guerra, a Longa Marcha é um espetáculo tão cruel quanto fascinante.
Confesso que não queria que o filme terminasse, tamanha a imersão que proporciona. O desfecho, mesmo quando antecipado por alguns espectadores, surpreende: adivinhar é uma coisa; presenciar sua concretização, outra completamente diferente.
A Longa Marcha é um filme que justifica os atuais 89% de aprovação no Rotten Tomatoes. Mais do que suspense, terror e violência, é uma poderosa história sobre amizade e superação. Uma obra imperdível, que estreia oficialmente nos cinemas no dia 18 de setembro.




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