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Dolly - Seu amiguinho

  • Foto do escritor: Lucas Fernandez
    Lucas Fernandez
  • 7 de mai.
  • 2 min de leitura


Se 2026 entregou a diversão caótica de Mortal Kombat 2, o diretor Rod Blackhurst resolveu equilibrar a balança trazendo algo muito menos “divertido” e muito mais desconfortável. Dolly não é aquele terror montado em cima de jump scares baratos ou sustos previsíveis. O filme é praticamente uma carta de amor nojenta, cruel e sem filtro para clássicos como The Texas Chain Saw Massacre. E digo isso como elogio.

A primeira coisa que chama atenção em Dolly é sua estética. Filmado em 16mm, o longa abraça completamente aquele visual sujo, granulado e decadente que parece ter saído diretamente dos anos 70. Tudo parece úmido, desconfortável e quase “contaminado”. As cores são lavadas, a imagem parece envelhecida e existe uma sensação constante de que algo está errado naquele lugar. Em uma época em que muito filme de terror parece excessivamente limpo e artificial, Dolly aposta justamente no oposto: ele quer parecer perigoso. E consegue.

A trama acompanha Macy (Fabianne Therese) e Chase (Seann William Scott), um casal que transforma férias aparentemente normais em um pesadelo absoluto ao cruzar o caminho da perturbadora Dolly. Interpretada pela lutadora profissional Max the Impaler, a personagem é quase uma entidade. Gigante, silenciosa e escondida atrás de uma máscara de porcelana rachada, ela transmite desconforto apenas existindo em cena.

Mas o que realmente separa Dolly de um slasher comum é sua proposta. A personagem não quer simplesmente matar suas vítimas. Ela quer brincar com elas. E é aí que o filme entra em um território extremamente perturbador. A narrativa trabalha temas de regressão e infantilização de uma forma cruel e desconfortável, criando algumas das cenas mais bizarras do terror recente. Não é o tipo de filme que quer apenas assustar você; ele quer fazer você se sentir mal assistindo. Existe uma energia quase “maldosa” em tudo, como se o longa estivesse constantemente tentando ultrapassar limites.

Também é impossível não comentar como é estranho — de um jeito bom — ver Seann William Scott, eternamente lembrado pelo Stifler de American Pie, em um projeto tão pesado e sombrio. Ele entrega uma atuação física intensa, cansada e desesperada. Já Ethan Suplee, interpretando “Papai”, cria uma presença ameaçadora absurda, daquelas que deixam qualquer conversa desconfortável. Ainda assim, o filme pertence totalmente a Max the Impaler. Mesmo sem falar praticamente nada e escondida atrás da máscara, ela domina cada cena em que aparece. Sua presença física lembra aquela imponência intimidadora que Karl Urban trouxe para Johnny Cage, mas aqui usada para criar puro pesadelo.

Claro, Dolly definitivamente não é um filme para qualquer público. O roteiro sacrifica lógica em alguns momentos para priorizar atmosfera, e várias decisões da protagonista vão fazer você querer discutir com a televisão. O ritmo também é mais lento do que muita gente espera do terror moderno. Mas sinceramente? Isso joga a favor do filme. Dolly funciona justamente porque parece um daqueles filmes proibidos que você encontraria em uma locadora obscura nos anos 90, com uma capa estranha que já avisava que a experiência seria desagradável.

Para fãs de terror mais cru, desconfortável e com personalidade visual forte, Dolly é facilmente uma das experiências mais perturbadoras e autênticas do horror independente recente.

 
 
 

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