A Noiva
- Lucas Fernandez
- 5 de mar.
- 3 min de leitura

O mito de Frankenstein's Monster ganha uma nova vida em 2026 pelas mãos da diretora Maggie Gyllenhaal. Estrelado por Jessie Buckley e Christian Bale, The Bride! não é apenas um filme de terror. Na verdade, ele parece muito mais interessado em ser uma mistura de romance gótico, drama estilizado e comentário social. A pergunta que fica é: toda essa ambição funciona ao longo das suas duas horas de duração?
A história se passa na Chicago dos anos 30, uma escolha curiosa e bastante acertada. O filme acompanha Frank (Christian Bale), o famoso monstro criado a partir da obra de Mary Shelley, que decide buscar ajuda para criar uma companheira. Para isso ele procura a Dra. Euphronius, interpretada por Annette Bening. Juntos, eles reanimam o corpo de uma jovem assassinada, dando origem à Noiva, vivida por Jessie Buckley. A partir daí o que começa como um experimento científico rapidamente se transforma em algo mais complexo: um romance estranho, violento e, ao mesmo tempo, profundamente humano.
O grande destaque do filme está nas atuações. Jessie Buckley entrega uma performance extremamente intensa. Sua Noiva parece ao mesmo tempo uma criatura recém-nascida tentando entender o mundo e uma força caótica que se recusa a aceitar qualquer forma de controle. É um papel difícil, cheio de mudanças emocionais bruscas, e ela abraça isso com uma energia quase hipnótica.
Christian Bale, por outro lado, escolhe um caminho mais contido. Seu Frank não é apenas uma criatura assustadora, mas alguém profundamente solitário. Bale trabalha muito bem essa sensação de melancolia constante, como se o personagem estivesse sempre carregando o peso de existir em um mundo que nunca o aceitará de verdade. A química entre os dois atores é estranha, desconfortável e curiosamente envolvente — exatamente o que a proposta do filme pede.
Outro aspecto que chama atenção é o visual. A Chicago da Lei Seca ganha uma atmosfera quase onírica, misturando becos escuros, clubes clandestinos e elementos góticos que lembram o horror clássico. A fotografia trabalha muito com contrastes fortes de luz e sombra, criando um ambiente que parece saído de um sonho perturbador. A trilha sonora composta por Hildur Guðnadóttir ajuda bastante nesse clima, com músicas que misturam melancolia e tensão de maneira muito eficiente.
O problema é que o filme claramente tenta fazer coisas demais ao mesmo tempo. Além da história central, existe uma investigação policial conduzida pelo detetive interpretado por Peter Sarsgaard que simplesmente não parece necessária. Embora o ator esteja bem no papel, essa trama frequentemente interrompe o ritmo da narrativa principal.
Em vários momentos também fica a sensação de que o roteiro quer explicar demais suas próprias ideias. Existem diálogos longos sobre identidade, liberdade e até sobre a própria Mary Shelley que acabam deixando o filme um pouco arrastado. Não são ideias ruins — muito pelo contrário — mas talvez funcionassem melhor se fossem mais sutis.
Ainda assim, é impossível negar que existe personalidade aqui. Maggie Gyllenhaal claramente quis fazer algo diferente com esse universo, e mesmo quando o filme tropeça, ele continua interessante de assistir. Não é um terror convencional e definitivamente não é um filme feito para agradar todo mundo.
No fim das contas, A Noiva é um daqueles projetos imperfeitos, mas fascinantes. Para quem gosta de releituras ousadas de histórias clássicas, é uma experiência bastante curiosa. Pode não funcionar em todos os momentos, mas certamente é o tipo de filme que tenta deixar sua própria marca dentro do mito de Frankenstein.




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