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Como treinar seu Dragão

  • Foto do escritor: Lucas Fernandez
    Lucas Fernandez
  • 12 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura




Uma adaptação que voa alto ao manter o coração da história original

Confesso que fui ao cinema com o pé atrás. Como fã da trilogia animada de Como Treinar o Seu Dragão, uma das mais emocionantes e consistentes do cinema recente, a ideia de uma versão live action me causava mais preocupação do que empolgação. Mas saí da sessão surpreendido — e, de certo modo, tocado. O filme não apenas respeita o material original, como entrega uma experiência visualmente deslumbrante e emocionalmente envolvente.

Sob a direção de Dean DeBlois, o mesmo responsável pelos filmes animados, o live action se mantém fiel ao espírito da história. A relação entre Soluço e Banguela continua sendo o grande centro emocional da narrativa, e felizmente, funciona. O dragão, agora recriado com efeitos visuais realistas, não perdeu sua expressividade — pelo contrário, ele talvez esteja mais carismático do que nunca. Os olhares, os gestos, o timing das interações: tudo foi cuidadosamente pensado para manter a conexão emocional que o público já conhecia.

Mason Thames, que interpreta Soluço, traz a vulnerabilidade necessária para o papel. Ele convence como um garoto deslocado, inteligente e corajoso à sua maneira. Há um amadurecimento sutil em sua atuação, algo que se desenvolve ao longo do filme e acompanha o crescimento da relação com Banguela. Já Nico Parker entrega uma Astrid forte, confiante e com um pouco mais de profundidade do que na animação, o que foi uma boa surpresa.

O que me pegou mesmo foi o visual. A vila de Berk, os voos sobre o mar, as cenas em meio às nuvens — tudo é grandioso e cuidadosamente construído. Dá pra sentir que houve um esforço em transformar o mundo fantástico da animação em algo palpável, crível, mas sem perder a magia. As sequências de voo são especialmente belas, e a trilha sonora, novamente assinada por John Powell, funciona como um abraço no coração para quem conhece os temas anteriores.

Claro, a adaptação não é isenta de falhas. Em alguns momentos, o roteiro parece seguir a animação quase cena por cena, o que pode levantar a pergunta inevitável: qual o valor de recontar uma história já tão bem contada? Ainda assim, senti que a intenção não era substituir o original, mas apresentar essa história para uma nova geração — e nisso, o filme acerta.

No fim das contas, Como Treinar o Seu Dragão (2025) é uma adaptação que respeita seus personagens, seu mundo e, principalmente, seu público. Talvez não reinvente a roda, mas emociona, encanta e entrega o que promete: uma história sobre amizade, empatia e crescimento contada com honestidade e beleza. E honestamente? Isso já é muito.


 
 
 

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