Critica: Morando com meu Crush
- Lucas Fernandez
- 21 de mai. de 2024
- 2 min de leitura

Henrique Zimmerer
A febre com os filmes de comédia romântica nacional parece seguir firme, e mais um filme do gênero vem chegando nas telonas.
Morando com o crush é um filme dirigido por Hsu Chien Hsin, com roteiro de Sylvio Gonçalves. Dois caras que não tem muita experiência com o gênero e parece que as coisas ficam bem evidentes ao longo da trama.
Aqui acompanhamos a história de Luana (Giulia Benite), uma garota apaixonada pelo seu colega de turma, mas sem coragem de se declarar para ele. Tudo vira de ponta cabeça quando ela descobre que o seu pai, Fábio (Marcos Pasquim) está namorando com a mãe de Hugo (Vitor Figueiredo). Isso leva os dois adolescentes a acabarem se mudando e morando juntos em uma nova cidade, enquanto fingem ser irmãos gêmeos.
Lá eles vão conhecer 3 irmãos (de verdade dessa vez) que vão influenciar na vida desse casal enquanto tentam se aproximar deles e descobrir seus segredos.
A ideia da trama tem criatividade, mas infelizmente não é muito bem explorada pelo enredo. Os acontecimentos vêm de maneira abrupta e são deixados sem questionamentos ou atribulações.
O pai de Luana em seu primeiro momento em família com a futura namorada já diz que eles vão se mudar porque foram transferidos da empresa e que vão morar juntos pois não conseguiram duas casas na nova cidade. O que poderia gerar discussões e cenas dramáticas vira um pequeno diálogo onde tudo acaba sendo aceito e resolvido.
E isso acontece várias vezes no filme. Um dos momentos com abertura para uma das maiores tensões do enredo, envolvendo segredos e fobias, mais uma vez é resolvido sem muita interação, sem desenvolvimento. Como se a ideia fosse apenas trazer um assunto do qual queriam falar, mas que eles não sabiam como lidar.
A história tem a sua comedia para pré-adolescentes, e pode ser bem divertido para o público alvo, no entanto, os personagens são tão irreais que as coisas acabam se distanciando.
Temos aqui um casal adolescente que parece adulto, gostando de músicas velhas e tendo hobbys que não conversam com a geração atual. Os diálogos acabam sendo forçados e não há naturalidade na forma de falar dos adolescentes, quase numa tentativa de forçar os jovens a entenderem que eles deveriam falar de maneira correta e seguindo normas, o que não vai acontecer por causa de um filme.
Apesar disso, temos boas aparições, como o Ed Gama que, apesar do personagem caricato, sabe entregar seu humor.
No mais, Morando com o crush é um filme que daria para passar na sessão da tarde, mas que fica a dúvida se vai atrair seu público já que os personagens parecem muito longe da realidade deles.




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