Crítica: Covil de Ladrões 2
- Lucas Fernandez
- 29 de jan. de 2025
- 2 min de leitura

Se o primeiro Covil de Ladrões (Den of Thieves, 2018) surpreendeu positivamente os fãs de thrillers policiais e filmes de assalto, sua sequência, Covil de Ladrões 2: Pantera, busca expandir essa narrativa, apostando em um escopo internacional, novos personagens e uma estética ainda mais próxima do estilo de Michael Mann. No entanto, a continuação não atinge o mesmo nível de impacto do original e enfrenta desafios que podem desagradar parte do público.
Sob a direção e roteiro de Christian Gudegast, o filme traz de volta Big Nick (Gerard Butler) e Donnie (O'Shea Jackson Jr.), agora em uma dinâmica completamente diferente. Em vez de caçar Donnie, Big Nick se alia a ele para um assalto grandioso: roubar uma carga de diamantes avaliada em mais de 800 milhões de euros do Centro de Diamantes, um dos locais mais seguros da Europa. Porém, o plano se complica quando eles descobrem que essas joias pertencem a outra máfia, tornando-se alvos de uma perseguição mortal.
O principal obstáculo de Covil de Ladrões 2: Pantera está no ritmo da narrativa. O começo é arrastado, e a duração estendida pode tornar a experiência cansativa para alguns espectadores. Várias cenas e personagens secundários parecem desnecessários, contribuindo pouco para a trama e tornando a progressão do enredo mais lenta do que o esperado. Se no primeiro filme a ação era um dos pontos altos, aqui ela só ganha verdadeira intensidade na reta final, deixando uma sensação de que poderia haver mais equilíbrio entre tensão e desenvolvimento de personagens.
Mesmo com essas falhas, o carisma de Gerard Butler continua sendo um dos pontos positivos. Ele entrega uma performance intensa e convincente, ainda que sua abordagem ao personagem não traga grandes novidades em relação ao filme anterior. Já O'Shea Jackson Jr. tem mais espaço para explorar Donnie, agora mergulhado ainda mais fundo no universo do crime. Infelizmente, alguns coadjuvantes acabam sendo pouco desenvolvidos, funcionando apenas como peças dentro da trama sem grande impacto narrativo.
A estética do filme reforça ainda mais a inspiração em Michael Mann. Se o primeiro longa já evocava Fogo Contra Fogo (Heat, 1995), esta sequência incorpora ainda mais elementos de obras como Colateral e Miami Vice, com uma fotografia estilizada e um ritmo narrativo que aposta no suspense e na construção visual. Embora isso traga um certo charme à produção, também ressalta o descompasso entre a ambição da direção e a execução do roteiro.
No geral, Covil de Ladrões 2: Pantera entrega um thriller policial sólido, com momentos interessantes, principalmente em seu desfecho. Para aqueles que gostaram do primeiro filme, ainda há motivos para conferir esta continuação, embora ela não tenha o mesmo impacto e energia do original. Caso uma terceira parte seja produzida, seria interessante ver um equilíbrio maior entre desenvolvimento de personagens e o dinamismo da ação que fez do primeiro longa um sucesso dentro do gênero.




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