Crítica: Imaginário – Brinquedo Diabólico
- Lucas Fernandez
- 14 de mar. de 2024
- 2 min de leitura

Henrique Zimmerer
Imaginário: Brinquedo Diabólico (Imaginary no original) nos leva para um aspecto interessante do terror, que é brincar com conceitos banais e transformá-los em algo assustador.
Acompanhamos a história de Jéssica (DeWanda Wise) que se casou com um músico, esse cara tinha duas filhas e ela tenta aprender a ser uma boa madrasta.
Jéssica é uma escritora, e transforma um pesadelo recorrente em uma história infantil, no entanto, quando esse pesadelo se torna cada vez mais frequente, eles decidem se mudar para a antiga casa de Jéssica, um lugar que ele tinha como porto seguro e que imagina poder ajudá-la a lidar com esse pesadelo.
Seu marido viaja, deixando que ela lide com as duas filhas enquanto tenta entender sobre o seu passado e a verdade sobre ter saído daquela casa para morar com a avó quando tinha apenas 5 anos.
É nesse ponto que a filha caçula da família (Pyper Braun) encontra um ursinho de pelúcia no porão e o chama de Chaunsey. Essa amizade parece ser tudo que a criança precisa, no entanto, as coisas vão ficar bem complicadas.
O filme tem um bom roteiro, trazendo algumas camadas e bons desenvolvimentos entre os personagens, a atuação de DeWanda Wise e Pyper Braun também ajudam bastante a nos manter imersos na obra e é um dos motivos do terror acabar funcionando.
Imaginário inclusive consegue nos trazer sentimentos dúbios ao acrescentar personagens que nos irritam e nos fazer pensar que talvez o monstro poderia conseguir uma vítima ali, ainda assim, trabalha bem as personagens femininas, mesmo o arquétipo tão clichê da adolescente revoltada tem boas nuances. E sim, o filme é feito basicamente por mulheres, os personagens masculinos são apenas coadjuvantes, aparecendo alguns poucos momentos. As mulheres brilham aqui e tomam conta da obra.
Trazendo alguns jump scares e momentos de tensão, mantendo o terror sempre no seu campo de vista, o filme consegue despertar agonia na gente e interesse em desvendar toda aquela história.
Apesar disso tudo, o filme peca no lugar comum de muitos filmes de terror, apesar de fazer isso apenas bem no final, que é: mostrar o monstro demais.
Em determinado momento acabamos parando de sentir medo daquilo e começamos a analisar como foi feito para o filme. CGI? Efeitos práticos? Acho que isso daqui não ficou tão bem feito.
Esses ligeiros pensamentos por ter a criatura aterrorizante tão destacada na nossa frente acaba tirando um pouco do peso e da imersão. Mas não conseguem atrapalhar a obra que, apesar de alguns pequenos pontos mal explorados e situações que poderiam ser melhor desenvolvidas, entrega um bom filme de terror para o público que busca.




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