Mario Galaxy
- Lucas Fernandez
- 1 de abr.
- 2 min de leitura

Confesso sem rodeios: Super Mario Galaxy sempre foi meu jogo preferido da Nintendo. Existe algo naquela mistura de melancolia, exploração e criatividade que nunca saiu da minha cabeça. Por isso, entrar em Mario Galaxy no cinema não era só assistir a um filme — era revisitar um lugar muito especial. E, felizmente, a experiência fez jus a essa memória.
O longa entende perfeitamente o que torna esse universo tão único. A estrutura fragmentada, com planetas que funcionam quase como pequenas histórias independentes, está toda ali. Mas o grande acerto é como isso foi adaptado para uma narrativa mais coesa, sem perder o encanto do desconhecido. Existe uma sensação constante de descoberta, como se cada novo cenário guardasse uma ideia criativa pronta para surpreender — exatamente como no jogo.
Mas o que mais me pegou, de verdade, foi o cuidado com a Rosalina. No jogo, ela já carregava uma carga emocional inesperada, principalmente através de sua história com os Lumas. Aqui, o filme vai além. A lore dela é expandida de forma sensível, trazendo mais camadas para sua solidão, seu papel como guardiã do cosmos e, principalmente, sua humanidade. Não é exagero dizer que ela se torna o coração da narrativa em vários momentos.
Outro ponto que me surpreendeu — e que mostra o nível de atenção aos fãs — foi a inclusão de elementos que remetem diretamente ao espírito de Super Smash Bros.. A presença de personagens de outras franquias não é gratuita. Pelo contrário, ela ajuda a construir um universo compartilhado que parece vivo e pulsante. E aqui entra um detalhe que eu simplesmente adorei: as botas do Fox McCloud.
Pode parecer um detalhe pequeno, mas não é. A forma como o filme utiliza esse elemento — seja visualmente ou como recurso narrativo — mostra um respeito absurdo pela história desses personagens. Não é só um easter egg jogado ali. É uma escolha consciente, que conecta universos e recompensa quem conhece esse legado. Esse tipo de cuidado transforma a experiência em algo muito mais rico.
Visualmente, o filme é um espetáculo. A estética espacial é tratada quase como poesia, com cores vibrantes contrastando com o vazio do espaço. Existem momentos em que a direção parece mais interessada em fazer você sentir a grandiosidade do universo do que simplesmente avançar a trama — e isso funciona incrivelmente bem.
Se existe alguma ressalva, talvez seja o ritmo em determinados trechos, que desacelera mais do que deveria. Mas, sinceramente, é um detalhe pequeno diante de tudo que o filme entrega.
No fim, Mario Galaxy não é apenas uma adaptação. É uma celebração de tudo que fez aquele jogo ser especial para mim — e, provavelmente, para muita gente. É raro ver uma obra que entende tão bem sua própria essência e ainda encontra espaço para expandi-la.
Saí do cinema com a sensação de que aquele sentimento de infância, de explorar o desconhecido, ainda está vivo. E isso, pra mim, já vale tudo.




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