O Drama
- Lucas Fernandez
- 1 de abr.
- 2 min de leitura

Um casal apaixonado, em meio aos últimos preparativos para o grande dia do casamento, entra em conflito ao descobrir segredos que jamais poderiam imaginar. O filme é estrelado por Zendaya e Robert Pattinson.
Se existe um segredo capaz de colocar o relacionamento do casal por um fio, algo que o filme precisa construir bem é a química entre eles. Felizmente, isso funciona. Não só pelos atores — com Pattinson mostrando sua versatilidade —, mas também pela construção narrativa. Zendaya manda bem, embora em alguns momentos ainda remeta à sua MJ de Homem Aranha.
A primeira parte do filme acerta ao desenvolver o relacionamento dos dois por meio de pequenos detalhes do cotidiano, mostrando como se conheceram e como se conectam. A dinâmica com o grupo de amigos também ajuda bastante, transmitindo a sensação de intimidade real — daquele tipo em que se compartilham coisas que não se contaria a qualquer pessoa.
O segredo que muda o rumo da história é apresentado de forma natural. Em nenhum momento parece algo forçado apenas para movimentar o roteiro — pelo contrário, surge de maneira orgânica e muda completamente o clima do filme.
Antes de assistir, imaginei que seria uma história mais focada em conflitos conjugais, algo na linha de uma traição. Mas, ao ver os materiais de divulgação, começou a parecer que envolvia algo mais ligado a crimes. Ao ser revelado segredo aborda temas mais delicados e atuais.
No início, o impacto desse segredo no relacionamento é bem perceptível nas atuações. Fica claro que é um casal tentando seguir em frente, mas sem conseguir. No entanto, o final parece ter uma necessidade exagerada de intensificar o drama, o que acaba forçando a barra. Surgem diálogos sem muito sentido (algo que já existia antes, mas não incomodava) e coincidências convenientes demais.
Ainda assim, não dá pra dizer que o filme se perde completamente — muito por conta do desempenho de Pattinson, que continua sustentando a narrativa até o fim.
O filme coloca questões importantes na mesa, mas não se compromete a desenvolvê-las. Centraliza o peso dramático em apenas um dos segredos, ignorando que o outro também carrega implicações sérias. Existe até a possibilidade de uma relação potencial entre eles — um podendo ser consequência do outro —, mas isso nunca é explorado. É uma oportunidade desperdiçada de aprofundar temas mais densos.




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