O Telefone Preto 2 – Ethan Hawke como um Freddie Krueger do século XXI?
- Lucas Fernandez
- 16 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Por: João Flecha Certeira
Ethan Hawke como um Freddie Krueger do século XXI? Sim! Basta assistir a O Telefone Preto 2 (The Black Phone 2, no original) para entender o porquê.
A trama se passa em 1982, anos após os eventos do primeiro filme, O Telefone Preto (The Black Phone, 2022), inspirado no conto de Joe Hill (filho de Stephen King e também excelente escritor). A sequência investe em um terror mais gráfico, mas igualmente psicológico, transportando o espectador aos anos 80 de forma apaixonante.
O filme mostra Finney (vivido por um excelente Mason Thames, do longa original), agora com 17 anos, tentando lidar — de maneira nada convencional — com os traumas do passado, enquanto sua irmã Gwen (Madeleine McGraw, também do primeiro filme), aos 15, começa a receber ligações em seus sonhos por meio de uma nova versão do telefone preto. As soluções estéticas e a trilha sonora são incríveis, especialmente nos momentos que exploram o “mundo dos sonhos” da personagem. Sem dúvida, é Gwen quem protagoniza este filme de forma fenomenal.
Já Ethan Hawke é um show à parte, reprisando o papel do assassino conhecido como “O Pegador” (The Grabber, no original). Seu personagem reúne todos os elementos que tornaram Freddie Krueger — o icônico vilão de A Hora do Pesadelo, interpretado por Robert Englund — praticamente uma estrela pop. É apavorante, sarcástico, terrível e, ao mesmo tempo, fascinante. Hawke está tão confortável em cena que o público passa a esperar ansiosamente por cada nova aparição sua. Essa abordagem foi necessária, uma vez que o vilão havia morrido no primeiro filme.
As mentes de Joe Hill, do diretor Scott Derrickson (que também assina o primeiro filme) e de C. Robert Cargill (Doutor Estranho, A Entidade) são responsáveis por essa guinada criativa no personagem. O próprio autor da obra original deu o “pontapé inicial”, como contou Derrickson em entrevista ao Collider:
“Assim que o primeiro filme fez sucesso, a Universal me pediu para fazer uma sequência. Eu não me sentia obrigado a fazer isso, mas certamente não faria se fosse apenas por dinheiro fácil. Então, eu estava procurando uma ideia, e Joe Hill me enviou um e-mail com uma proposta para uma sequência. Não me identifiquei com algumas coisas, mas havia uma ideia naquele e-mail que achei fantástica — algo em que eu nunca teria pensado.”
O elenco de apoio também é um destaque à parte. O veterano Demián Bichir (A Freira), Jeremy Davies (retornando como Terrence, pai dos jovens protagonistas), Ariana Rivas (como Mustang) e os demais atores entregam atuações equilibradas e convincentes, no tom exato que o filme exige.
Em diversos momentos, O Telefone Preto 2 remete com carinho a produções como A Hora do Pesadelo 3: Guerreiros dos Sonhos (1987), mas sem perder sua identidade — outro grande mérito da produção, que se inspira sem copiar.
Enfim, O Telefone Preto 2 é uma viagem nostálgica no melhor estilo “Túnel do Tempo”, evocando o que havia de melhor no cinema de horror adolescente dos anos 80, sem abrir mão da originalidade. Com impressionantes 82% de aprovação no Rotten Tomatoes, o filme estreia nos melhores cinemas do Brasil em 16 de outubro de 2025.
Imperdível!




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