Panico 6 assustou os fans
- Lucas Fernandez
- 20 de mar. de 2023
- 2 min de leitura

A franquia de filmes Pânico é uma das mais famosas dentro do gênero slasher. Com sua primeira estreia em 1996, a série trouxe uma nova abordagem para o gênero, utilizando metalinguagem e subversão dos clichês do horror. Uma das características mais interessantes da franquia é a rotatividade de vilões, o que traz sempre um ar de novidade para as sequências. Enquanto outras séries de filmes de maníacos, como Halloween, tendem a tentar encaixar novas lições ou motivações para seus vilões na mitologia, Pânico preserva minimamente o interesse do público com o mistério do whodunit da identidade de Ghostface.
No entanto, com o lançamento de Pânico 6, é possível perceber que a franquia está lidando com a realidade da indústria cinematográfica em declínio, que se apoia principalmente na venda de nostalgia. Embora a trama do sexto filme tenha uma conclusão, o filme acaba explorando a nostalgia de maneira superficial. As autorreferências aos filmes anteriores viram texto indulgente, com a mesma cadência aborrecida com que um detetive de homicídios revisita fotos do crime numa pasta de cold case.
O quarteto criativo responsável por Pânico 5 também ignorou a lição de seus criadores, tornando Pânico 6 menos brutal e mais televisivo. Embora a canastrice seja uma característica da franquia, a falta de ousadia e originalidade acaba embalsamando a franquia em tempo real. No entanto, a natureza paródica da franquia ainda oferece algum prazer para o público, permitindo que o elenco todo atue em um mesmo nível de canastrice. Isso faz do whodunit uma roleta russa, tornando possível que qualquer um dos maus atores seja o maníaco da rodada.
Em contraste, o filme Maligno, dirigido por James Wan, utiliza a canastrice e o desdém pelas convenções do mistério policial de forma mais eficaz. O filme não precisa sublinhar esses aspectos a cada dez minutos, tornando a narrativa mais orgânica e fluida. James Wan é um dos poucos diretores em Hollywood que pode se orgulhar de reivindicar a herança de Wes Craven, pois ele sabe como utilizar as técnicas do gênero de forma inovadora e interessante. Em Maligno, o diretor cria uma narrativa envolvente que prende o espectador do começo ao fim, sem precisar apelar para a nostalgia ou para a fórmula repetitiva do gênero.
Em resumo, embora Pânico seja uma franquia icônica dentro do gênero slasher, é possível perceber que ela está sofrendo com a realidade da indústria cinematográfica em declínio, que se apoia principalmente na venda de nostalgia. Embora Pânico 6 ainda tenha seus momentos interessantes, a falta de ousadia e originalidade acaba embalsamando a franquia em tempo real. Em contrapartida, filmes como Maligno mostram que é possível utilizar as técnicas do gênero de forma inovadora e interessante, sem precisar apelar para a nostalgia ou para a fórmula repetitiva
Nota: 7/10




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