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Parthenope: Os Amores de Nápoles

  • Foto do escritor: Lucas Fernandez
    Lucas Fernandez
  • 20 de mar. de 2025
  • 3 min de leitura




Por: Aoi Todo


Dirigido por Paolo Sorrentino, Parthenope: Os Amores de Nápoles se apresenta como um filme que mescla estética deslumbrante e uma narrativa que se arrasta sem uma direção clara. À primeira vista, temos uma história envolta em sedução, com a protagonista Parthenope (interpretada por Celeste Dalla Porta) trazendo à tona a lenda da cidade de Nápoles, onde o mito das sereias e da atração fatal percorre suas ruas. Mas, ao mergulharmos mais fundo na trama, nos deparamos com um longa-metragem mais complexo e difícil de digerir, que busca provocar reflexões existenciais, mas acaba se perdendo em sua tentativa de abarcar excessivas camadas de temas e simbolismos.

A narrativa, por vezes, parece seguir uma deriva que compromete a unidade da história. A figura de Parthenope é a âncora do filme, mas nunca compreendemos realmente o motivo de sua importância. Ela seduz, ela encanta, mas o porquê disso nunca fica claro, o que gera uma sensação de desconexão com o público. O filme oscila entre momentos de pura beleza e outros de um grotesco quase insuportável, com temas como incesto, prostituição, homossexualidade e a constante presença de figuras da máfia e da igreja. Sorrentino, um mestre da arte visual, parece ter priorizado a estética ao invés da construção de uma narrativa coesa.


O binômio entre o belo e o grotesco é um dos aspectos mais interessantes do filme, especialmente porque ele nos faz refletir sobre a dicotomia da vida e da cidade de Nápoles, com seus encantos e suas sombras. A fotografia, com seu deslumbrante retrato das belezas e decrepitudes napolitanas, é uma das poucas coisas que realmente se salva. Se o filme fosse apenas um documentário sobre as imagens e paisagens da cidade, teria sido um tributo muito mais efetivo à cultura italiana e à alma napolitana. No entanto, a tentativa de amarrar todos os outros temas acaba criando um misto pseudo-intelectual que não se sustenta.


É impossível não perceber as críticas que Sorrentino faz ao egocentrismo da sociedade contemporânea, ao culto à beleza e à intelectualidade, especialmente em tempos onde a imagem é tudo. A interação entre personagens, que muitas vezes parece ser superficial, discute questões como amor, desejo e caráter, mas ao mesmo tempo, falha ao mergulhar nas profundezas dessas questões, deixando o público com mais perguntas do que respostas.


A abordagem surrealista, que remete aos filmes de Fellini, como La Nave Va, tem seu charme, mas também causa estranhamento. As figuras caricatas, que aparecem em momentos aparentemente aleatórios, acabam desconectando o espectador da experiência cinematográfica. É um surrealismo que parece mais uma tentativa de emular o mestre italiano, sem conseguir atingir a mesma profundidade de suas obras.

Porém, o grande problema de Parthenope é a falta de simbiose entre os inúmeros elementos que tenta abordar. O incesto, as relações familiares problemáticas, o mundo acadêmico e até mesmo a máfia napolitana são temas que poderiam gerar reflexões poderosas. Mas, ao tentar condensar todos esses tópicos, Sorrentino se perde na proposta e transforma o filme em uma tentativa falha de reflexão, onde nada se conecta de forma orgânica. A proposta de construir um “mundo” napolitano, cheio de contraditórias obsessões e desejos, parece mais uma colagem de imagens e situações sem uma verdadeira construção narrativa.


O filme, então, acaba sendo um experimento visual impressionante, mas falho em termos de conteúdo e mensagem. Em vez de emocionar, Parthenope nos deixa uma sensação de náusea ao tentar “embelezar” temas tão pesados como o incesto e a prostituição. Mesmo os diálogos, que poderiam ter gerado discussões profundas sobre os personagens e suas existências, acabam ficando na superfície, mais interessados em provocar do que em realmente provocar uma reflexão profunda.


É um filme que, embora visualmente impactante, falha em sua tentativa de ser um grande tributo ao cinema italiano e à cidade de Nápoles. A tentativa de mesclar surrealismo, crítica social, reflexão existencial e beleza plástica acaba se perdendo, transformando a experiência em algo difícil de acompanhar e até mesmo desagradável em certos momentos. Para os fãs de Sorrentino, a proposta de uma Nápoles sombria e sensual pode ser intrigante, mas para quem busca um filme que realmente envolva de maneira profunda, Parthenope se revela mais um exercício vazio do que uma obra de cinema realmente impactante.

 
 
 

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