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Wicked: For Good

  • Foto do escritor: Lucas Fernandez
    Lucas Fernandez
  • 20 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Assistir Wicked: For Good me colocou de volta em um universo que eu já tinha muito carinho. E, sendo sincero, saí do cinema com aquele sentimento misto: gostei bastante do filme, me diverti, me emocionei, mas ainda acho o anterior bem melhor em praticamente todos os aspectos. Não é uma comparação para diminuir este novo capítulo, mas é impossível não notar o quanto o primeiro era mais preciso no ritmo, mais bem acabado visualmente e, de certa forma, mais seguro sobre o que queria ser.

For Good tenta ampliar o mundo, aprofundar relações e entregar novos olhares sobre personagens já estabelecidos. Em grande parte do tempo, consegue. O coração da narrativa — a relação entre Elphaba e Glinda — permanece forte, sensível e cheia de nuances. Há algo muito honesto na maneira como o filme trata amizade e divergência, assumindo que crescer, escolher e se responsabilizar tem um custo emocional. Isso sempre foi um dos pilares de Wicked, e aqui continua funcionando.

Mas não posso ignorar que, em alguns momentos, senti a história “agarrar”. Houve trechos em que percebi o filme esticando certas cenas além do necessário, como se tivesse receio de avançar. Isso afeta um pouco o ritmo geral. Nada que estrague a experiência — mas para alguém como eu, que gosta de acompanhar a construção narrativa como se estivesse desmontando um relógio para ver todas as engrenagens, esses pequenos travamentos saltam aos olhos.

Outra coisa que também me tirou um pouco da imersão foi a caracterização do Espantalho. Eu realmente não gostei. No primeiro filme, tudo parecia encaixado, coerente e bem pensado visualmente. Aqui, o design dele parece deslocado, quase como se fosse de outro universo. Não é apenas estranho — é pouco marcante. Ele entra em cena e simplesmente não tem presença. Para um personagem tão clássico, isso é uma pena. Eu esperava algo mais icônico, mais impactante, e não essa aparência genérica que não dialoga bem com o resto do visual do filme.

Agora, preciso confessar algo que me fez rir sozinho na sala de cinema: eu fiquei com inveja da barba do macaco. Sim, inveja real. Aquele macaco apareceu com uma barba mais bem cuidada que muitos personagens humanos, e eu, aos 38 anos, que vivo acompanhando barbearias e produtos para manter a minha apresentável, me peguei pensando “como é que um macaco digital consegue ter uma barba mais imponente do que a minha?”. É um detalhe mínimo, claro, mas é também o tipo de coisa que me pega como nerd detalhista que repara em absolutamente tudo.

Voltando ao que importa: mesmo com esses tropeços, o filme acerta bonito quando resolve investir no emocional. As canções continuam sendo o grande veículo das viradas narrativas, e embora eu ache as músicas do primeiro filme mais marcantes, For Good entrega algumas performances realmente poderosas. O número final, especialmente, carrega um peso emocional que me deixou satisfeito com o encerramento da jornada.

O visual do filme está mais polido — embora, em certas cenas, o CGI dê uma leve derrapada. Nada que atrapalhe, mas às vezes a fantasia perde um pouco do brilho. Curiosamente, mesmo com mais tecnologia à disposição, o primeiro ainda passa a sensação de ser mais coeso esteticamente.

No fim, Wicked: For Good é um filme maneiro — e uso “maneiro” aqui não como gíria, mas como a palavra que melhor define o que senti: uma obra que entrega fantasia, emoção e momentos realmente memoráveis. Ele não supera o anterior, mas complementa aquele universo de maneira digna. Há carinho, há espetáculo, e há principalmente uma expansão que dialoga bem com quem acompanha essa história há anos.

Saí do cinema satisfeito, mesmo reconhecendo que havia espaço para ser algo maior. Talvez essa seja a melhor forma de resumir minha experiência: não é perfeito, mas é encantador. E, para mim — um nerd de 38 anos que ainda se emociona com musicais e que agora tem inveja da barba de um macaco — isso já é mais do que suficiente.

 
 
 

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