WISH - O PODER DOS DESEJOS
- Lucas Fernandez
- 14 de dez. de 2023
- 2 min de leitura

Ao imergir na experiência de WISH - O PODER DOS DESEJOS, ansiava por uma jornada que me transportasse aos confins estelares da magia e inovação. No entanto, o que se desdobrou diante dos meus olhos foi uma montanha-russa emocional, uma viagem repleta de momentos de êxtase e outros que suscitaram questionamentos sobre as escolhas por trás dessa produção.
Desde o início, tornou-se evidente que o filme era um fervoroso tributo aos 100 anos da Disney. No entanto, essa homenagem se assemelha a um desfile mágico, onde cada carro alegórico é uma referência, desde os sete amigos estereotipados da protagonista até a casa que mais parece uma reutilização de moradias de princesas. Ao invés de me sentir imerso nesse universo encantado, por vezes me perdia nesse desfile, tentando decifrar cada detalhe em vez de me entregar à narrativa.
O Rei Magnífico, inicialmente apresentado como o vilão do filme, prometia ser um personagem complexo, como se Jafar tivesse feito um estágio em ética antes de se tornar o grande antagonista. A ponderação sobre a concessão de desejos, baseada no medo das consequências, fazia-me esfregar as mãos em expectativa. Contudo, como se fosse um efeito colateral mágico, ele se transforma subitamente em um vilão caricato, uma reviravolta digna de um roteiro antigo das revistas em quadrinhos do Tio Patinhas.
A dicotomia entre liberdade e segurança ao realizar desejos é um ponto alto, assemelhando-se a uma batalha entre feitiços de Merlin e poções da Malévola. Lamentavelmente, essa discussão ética, que poderia ser tão profunda quanto os túneis secretos sob o Castelo da Cinderela, perde-se na própria névoa do feitiço, tornando-se menos um caldeirão de ideias e mais um pote de confusão.
A jornada cósmica de Asha, a otimista de 17 anos, e sua conexão com a Estrela, deveria ser como uma viagem pelo espaço sideral. No entanto, por vezes, senti como se estivéssemos mais próximos de uma atração espacial desativada do Epcot. A ideia da força cósmica respondendo ao chamado da protagonista é intrigante, mas, infelizmente, é como se estivéssemos olhando para a Estrela através de um telescópio embaçado pela chuva de referências.
Com nomes como Chris Buck e Fawn Veerasunthorn na direção, Jennifer Lee no roteiro e um elenco estelar encabeçado por Ariana DeBose, Chris Pine e Alan Tudyk, a ficha técnica assemelha-se a uma lista de convidados para uma festa exclusiva no Palácio de Cristal. No entanto, essa festa, em vez de ser um baile encantado, pareceu mais um encontro desajeitado na Taverna do Gastão.
Em resumo, WISH - O PODER DOS DESEJOS é como um passeio pelo mundo encantado: repleto de emoções para os aficionados, mas talvez um pouco confuso para quem não conhece todos os atalhos pelos cantos do parque. Apesar de suas falhas, não é um desastre total. A decisão de esperar pelo Disney Plus ou enfrentar a bilheteria dependerá da coragem de se aventurar em uma jornada cinematográfica que mistura encanto e algumas doses excessivas de nostalgia. E, como todo verdadeiro fã Disney, estamos prontos para embarcar novamente, afinal, mesmo com suas montanhas-russas emocionais, o mundo mágico Disney sempre nos chama para mais uma volta.




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