Zoopocalipse
- Lucas Fernandez
- 19 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Por: João Amaral
Não é surpresa que, especialmente nos anos 80 e 90, houvesse um grande público infantil para filmes de ação, sci-fi e terror. Nomes como John Landis, John Carpenter, Stephen King, Joe Dante e Clive Barker eram acompanhados com entusiasmo por crianças e adolescentes que, inclusive, compravam revistas especializadas em terror e suspense. E é justamente o nome deste último citado que merece atenção nesta crítica.
Zoopocalipse – Uma Aventura Animal (Night of the Zoopocalypse, no original) é uma animação canadense-belga-francesa de comédia de terror voltada para o público infantil. O filme apresenta um humor bastante acessível à família, ainda que utilize muitos conceitos típicos dos filmes de terror dos anos 80. Na trama, um meteoro cai na Terra e transforma alguns bichos fofinhos de um zoológico em uma espécie de “zumbis de goma”, forçando um grupo de sobreviventes, liderado pela jovem loba Gracie, a interromper essa contaminação.
É impossível não se divertir com as cenas que recriam a estética clássica do gênero, acompanhadas de uma trilha sonora que, em muitos momentos, remete aos filmes de terror espacial dos anos 50 e 60. A sensação é de assistir a uma mistura entre a animação Madagascar e A Noite dos Mortos-Vivos, de George Romero, com boas doses de Além da Imaginação. Inteligente e equilibrado, o filme respeita a inocência do público infantil ao mesmo tempo em que diverte os pais com a nostalgia das referências aos clássicos do terror.
Curiosamente, essa produção foi idealizada por Clive Barker, inicialmente como uma história em quadrinhos de terror voltada para o público adulto. Com habilidade, a ideia foi adaptada para um filme de animação 3D para toda a família, explorando soluções estéticas que permitem às crianças de hoje se divertirem com a parte “assustadora” da narrativa sem perder sua inocência.
Mas não pense que o longa se resume a boas referências e cenas inspiradas em filmes antigos. Zoopocalipse — dirigido por Ricardo Curtis (Os Incríveis) e Rodrigo Perez-Castro (Festa no Céu), com roteiro de Steven Hoban e James Kee — também aborda temas relevantes como convivência com as diferenças, pertencimento, amizade, coragem e confiança. Questões vitais em um momento no qual, cada vez mais, nos distanciamos por ideologias e outros fatores.
“Criamos essa animação neste momento da história do mundo, em que estamos divididos em bolhas”, afirma Curtis. “A gente queria representar essa divisão através destes animais, que literalmente vivem em seus próprios cercadinhos, dos quais nunca saem. Eles não sabem nada sobre os outros até que, em uma noite, são forçados a trabalhar juntos para se salvar do apocalipse.” (trecho de entrevista de Curtis publicada em alguns sites).
Zoopocalipse – Uma Aventura Animal estreia nos cinemas brasileiros no dia 25 de setembro, com classificação indicativa a partir de 10 anos. Não me surpreenderia se, a partir deste filme, surgisse uma série de brinquedos e guloseimas inspiradas nos zumbis de goma e demais personagens.




Comentários